Cappuccinos @ Driftwood’s, Archirondel beach.
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L., Brasil/UK, fotógrafa wannabe, cat lover, aprendiz de costureira, veste Dior e roupas de brechó, ouve rock inglês e funk carioca, saboreia salmão bebendo cachaça. Ama livros antigos, decoração, cinema, música, moda alternativa e tralhas vintage. Odeia pepino, hypes e pessoas moralmente superiores. E esse é o meu arremedo de fotolog/muro das lamentações.
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Cappuccinos @ Driftwood’s, Archirondel beach.


Os Jacintos abriram por esses dias; não são lindos? Confesso estar apaixonada pelos meus bulbinhos; todo outono comprarei PENCAS e distribuirei pelo quintal, pois vi que, mesmo não tendo dedo verde nem o menor talento para jardinagem, bulbos são quase idiot proof e sobrevivem à minha falta de habilidade e julgamentos equivocados.



Comprei um pote com 200 letrinhas de plástico coloridas com ímã atrás pra grudar na geladeira. Sou oficialmente uma pessoa FELIZ. Passei a noite escrevendo palavrões na porta do freezer, ou frases do tipo HELLO WELCOME TO THE FATNESS.
Chegaram também os livrinhos miniaturas que ganhei de presente da Raquel; não são preciosos?? Agora minhas dolls podem se deliciar com as obras completas de Jane Austen.



E sabe aquela minha tentativa de tomar cafés da manhã mais light e saudáveis?

Pois é. Não vingou.

Natalia Vodianova fingindo que fuma. Na verdade eu duvido que ela se entregue a prazeres mundanos como fumar um cigarrinho, esvaziar uma garrafa de vinho barato ou um prato de comida. Ah, mas não importa. Ela é uma supermodelo e ninguém pode almejar nada mais fabuloso do que isso.
“Em 20 minutos sem fumar um cigarro, sua pressão voltará ao normal. Em 8 horas, os níveis de monóxido de carbono no seu sangue se reduzem à metade, e os níveis de oxigênio voltarão aos níveis normais. Em 72 horas, seus brônquíolos voltarão ao normal, assim como seus níveis de energia. Em duas semanas sua circulação sanguínea aumentará, e vai continuar aumentando pelas próximas 10 semanas. Entre 3-9 meses, sintomas como tosse e crises respiratórias vão diminuir, e sua capacidade pulmonar aumentará em 10%.
Em um ano, os riscos de sofrer um ataque cardíaco se reduzirá à metade. Em 5 anos, sua probabilidade de sofrer um derrame se iguala à de um não-fumante. Em 10 anos, seu risco de desenvolver câncer de pulmão se iguala à de um não-fumante. Em 15 anos, seu risco de sofrer um ataque cardíaco se iguala ao de um não-fumante.”
Tendo eu perdido um amigo de VINTE E NOVE ANOS (que NUNCA pôs um cigarro na boca) vitimado por um ataque cardíaco, ter visto amigas na casa dos 30 morrendo de câncer de mama/útero e tendo acompanhado fumantes passando facilmente dos 80, só tenho a declarar o seguinte: FAÇA O QUE TIVER VONTADE DE FAZER. Como diz um grande amigo: “prefiro fumar por mais 15 anos e morrer de ataque cardíaco a passar 15 anos sem fumar e morrer por outro motivo. Se tenho que morrer de qualquer jeito, que seja por ter vivido fazendo o que me dá prazer”.
Pessoas politicamente corretas que ficam repassando emails com essas estatísticas (descaradamente fajutas) a fim de se sentirem SUPERIORES porque não fumam, deviam morrer antes dos trinta. CUZÕES não sabem viver e nem merecem dividir comigo o privilégio de estar vivo.
Croque Monsieur no café da manhã. Cidade (livraria, fuçação generalizada). Bolo “polenta de limão” no Driftwood’s, onde o garçom fofo elogiou meu casaco. Rodar de carro pelo countryside, procurando uma granite farmhouse como a nossa que tivesse um front porch igual ao que queremos, já que a autorização para construirmos um foi NEGADA pela prefeitura e queríamos fotos para provar que sim, isso existe. Sucesso: zero.

Acha que beleza e talento não combinam? Think again (Bat For Lashes prestes a lançar álbum novo, por sinal - preciso investigar).
A nova Lula também saiu, mas é provável que eu perca a edição porque aqui em Jersey só temos revistinhas bem mainstream (tipo Vogue, Marie Claire) e a celebrity gossip asquerosa de sempre. Ah sim, eles têm revistas para aficcionados em tratores (!) e casas de boneca (yay), mas não, não têm revistas levemente menos povão como a Lula. OK, eu já consegui comprar POP, Dazed & Confused e iD antes, mas como a procura por esse tipo de coisa aqui deve ser mínima, é complicado achá-las sempre. No caso da Lula é nunca, mesmo.
Detalhe é que mês passado eu finalmente consegui encontrar um site onde se pode assinar a revista; devia tê-lo feito a tempo de pegar a edição spring/summer. Mas acho chato pagar 20 libras para assinar uma revista que sai DUAS vezes por ano. Whatever; ou isso, ou nada.

Essa foto é alguma coisa. Não apenas pelo BIZARRO da situação, como também pela lembrança ingrata que me traz. Quando criança me convidaram para uma festinha de aniversário cujo tema era “jardim”; lembro porque a idéia para o tema veio de uma revista que era da minha mãe - e que havia sido emprestada para a vizinha ter “idéias” para o aniversário da filha. Uma sebosa completa, dessas “princesinhas da mamãe” com cara de quem havia cheirado cocô, que chorava à toa e dava escândalo quando pedíamos para brincar com seus brinquedinhos caros.
Então a mãe da pentelha fez asinhas de borboleta, grilo e joaninha iguais à da revista (e parecidas com essa da foto) e obrigou convidados com menos de 10 anos a usá-las. Após breve inspeção, concluí que a asa de grilo era a menos ridícula e peguei uma. A mulher ARRANCOU o negócio da minha mão e me empurrou uma borboleta ROSA. “Os grilos são para os meninos”, explicou ela com um sorriso forçado. “Foda-se”, pensei eu, que nada tinha a ver com aquele fascismo de gênero babaca. Joguei a borboleta na pilha de asas disponíveis e peguei o grilo novamente. Que novamente me foi arrancado das mãos e a mesma borboleta oferecida. Teríamos ficado nesse “devolve, puxa, devolve” por um bom tempo, se a aniversariante não tivesse chegado e gritado BEM dentro do meu ouvido: “A BORBOLETA É QUE É DE MENINA, SUA BURRA”.
WTF?? Desculpaí chuchu, mas você ainda berra pra mamãe vir limpar a sua bunda (e tão alto que eu ouvia lá de casa); assim sendo, não tem moral alguma para questionar meu intelecto. Imediatamente fiz a Liciane e taquei a mão na cara da aniversariante, que perdeu o equilíbrio e bateu com a cabeça na mesa do bolo, jogando boa parte dos enfeites no chão. Berreiro, tumulto, a mãe da menina não sabia se acudia a filha ou se me xingava. Não esperei o desenrolar dos acontecimentos; tomei o caminho de casa, não sem antes pegar uns dois ou três docinhos que haviam caído da mesa. A boa notícia é que nunca mais fui convidada a nenhuma festa na casa da nojenta; a má é que minha mãe nunca mais viu a edição de Dezembro da Faça Fácil Festas Infantis.
Adoro essa saia; meio kilt, meio wtf.
Acabando de chegar de uma excelente manhã na cidade (incluindo almoço no Le Brasserie com aquela que não deseja ser nomeada, até porque, assim como eu, já se esqueceu como se chama anyway), carregando bolsas com compras modestas, porém felizes, quando o telefone toca. É a velha, a mesma que não dá sinal de vida há uns trezentos anos, querendo saber se eu “quero ir ao mercado”, já que ela está indo a Five Oaks.
Raciocínio rápido: se ela está indo a Five Oaks, é porque quer comprar vinho (há uma adega imensa ao lado da entrada principal). Garrafas de vinho PESAM e ela precisa de uma otária para carregar a bolsa do mercado para o carro e do carro para casa. A mesma otária a quem, em condições normais de temperatura e pressão, ela NUNCA ofereceria uma carona para o mercado. Mesmo que estivesse chovendo, nevando ou seis graus na escala Richter. Mesmo que o Respectivo estivesse viajando e ela saiba que não sei dirigir. Mesmo que não houvesse nem meia banana e uma garrafa d’água na geladeira e que minhas duas pernas tivessem sido amputadas.
Será que ela achou mesmo que a otária nunca iria somar 2 + 2 e concluir que NÃO, ela NUNCA MAIS vai “precisar” de alguma coisa?
Sorry, tia. Ou tome tenência e pare de beber OU pague uma mucama pra carregar sua cachaça. Lamento não poder me candidatar à vaga, já que estou ocupadíssima RINDO DA SUA CARA.
Pfe.
Quando, num momento de crise, uma pessoa se dispõe a ajudar com uma “novidade”, meus alarmes internos acionam automaticamente. Começo então a fazer um downplay mental e prévio daquilo que está por ser dito, tentando manter a esperança quietinha lá no lugar dela (ou seja, no fundo do fosso). “Provavelmente alguma bobagem que não vai fazer diferença alguma”, penso, enquanto a esperança secretamente abre os olhinhos e ergue a cabeça tentando vislumbrar alguma luz saída lá do alto. Aí a novidade é anunciada. E não apenas é mais inútil do que o esperado quanto consegue a façanha de piorar ainda mais o prognóstico geral da situação.
E depois ainda querem que eu PARE DE BEBER.